Por que terapia, PNL e curso de oratória não resolvem o teto de percepção (e o que, na prática, resolve)

Boa parte dos clientes que chegam até mim já passou por terapia. Muitos, por anos. Alguns também fizeram PNL, cursos de oratória, treinamentos de comunicação, imersões de alta performance. Chegam bem preparados no discurso e travados no resultado. Sabem se expressar, entendem sua própria história, têm ferramentas emocionais que funcionam em vários contextos da vida. E, mesmo assim, continuam sendo vistos no mercado abaixo do que realmente valem, e continuam travando na hora de tomar a decisão de negócio que sabem, racionalmente, que deveriam tomar.

Isso não é falha da terapia. Também não é falha da PNL ou do curso de oratória. É que nenhuma dessas abordagens foi desenhada para resolver o problema específico que eu vejo nesses clientes: um teto de percepção que opera na interseção entre identidade e decisão de negócio de alto risco, ao vivo, na cadeira, quando o dinheiro está em cima da mesa.

Escrevo este artigo para explicar essa distinção com clareza, sem desqualificar nada que já ajudou você a chegar até aqui.

O que a terapia resolve muito bem (e por que ainda assim algo fica de fora)

Psicoterapia é uma prática de saúde mental, séria, necessária e com décadas de evidência sustentando sua eficácia. Ela trata ansiedade, trauma, padrões de relacionamento, autoestima, histórico familiar, funcionamento emocional. Continuar em terapia, quando ela está fazendo esse trabalho, é uma decisão saudável, e isso não é o que está em questão aqui.

O que eu observo é que o escopo clínico da terapia não foi construído para lidar, na mesma sessão, com uma decisão de precificação de sete dígitos, um posicionamento de mercado que está sendo mal lido por clientes de alto ticket, ou o momento exato em que alguém precisa decidir se aceita ou recusa uma proposta que vai definir o próximo ano da empresa. Isso não é psicoterapia. É outra camada de trabalho, mais próxima de performance e negócio do que de saúde mental, e a literatura de desenvolvimento profissional reconhece essa diferença. A própria ICF (International Coaching Federation), referência internacional em coaching executivo, distingue formalmente o trabalho voltado a performance e objetivos concretos do tratamento clínico de saúde mental. São dois campos diferentes, com propósitos diferentes.

Marcos Andrade (nome fictício), sócio de uma gestora de investimentos de grande porte, me disse que, mesmo com “essa terapeuta há 3 anos”, sentia que a terapia não estava evoluindo naquele ponto específico. A clareza que ele buscava sobre uma decisão de posicionamento não veio de mais tempo de terapia, veio de um trabalho direcionado a essa camada exata.

Juliana Rezende (nome fictício), dermatologista, me contou algo parecido: para ela, “dez anos de terapia” não haviam produzido, naquele recorte específico de percepção de mercado, o que menos de um ano de mentoria produziu. Isso não significa que os dez anos de terapia foram desperdiçados. Significa que eles resolveram outras coisas, e deixaram essa camada em aberto, porque não era o objetivo deles resolver.

Por que curso de oratória também não fecha essa conta

Curso de oratória e treinamento de comunicação resolvem um problema técnico: como estruturar uma fala, como usar a voz, como não gaguejar na hora de apresentar. É útil. Mas é também limitado a técnica, e teto de percepção quase nunca é um problema técnico.

A pessoa que trava na negociação de alto risco geralmente já sabe falar bem. O problema não é o discurso, é o que acontece por dentro no instante em que a decisão precisa ser tomada: uma crença de fundo sobre quanto ela vale, que sabota a decisão antes mesmo da frase sair da boca. Nenhuma técnica de oratória chega nesse ponto, porque oratória trabalha a forma, não a raiz.

Rodrigo Barreto (nome fictício), empresário, me disse de forma direta: “eu tô fazendo terapia fiz PNL, fiz uma porrada de coisa mas eu sinto que cara, eu tive um distrave”. O interessante nessa frase não é que terapia e PNL não servem, é que ele já havia acumulado ferramentas suficientes de vários campos e ainda faltava algo específico, algo que só apareceu quando o trabalho foi direcionado exatamente para o ponto de decisão.

Dr. André Nunes (nome fictício), nutrólogo, me contou que teve uma trajetória parecida: já havia feito terapia, tentado hipnose, e não tinha conseguido resolver o que precisava resolver. De novo, isso não é uma crítica a essas abordagens. É a constatação de que elas foram usadas para um problema que não era exatamente o delas.

A terapia continua sendo importante, e isso não está em discussão aqui

Antes de seguir, quero deixar isso dito sem ambiguidade: se você está em terapia, ou se avalia que precisa estar, isso não muda com nada do que eu escrevo aqui. Psicoterapia trata saúde mental. Se há ansiedade, trauma, quadro clínico ou qualquer sofrimento psíquico que precise de acompanhamento profissional, esse acompanhamento deve continuar, e nenhum trabalho de posicionamento ou mentoria, incluindo o meu, substitui isso.

O que eu defendo aqui é mais estreito e mais honesto do que “terapia não funciona”: existe uma camada de percepção de mercado e decisão de negócio que fica fora do escopo clínico da terapia e fora do escopo técnico de um curso de comunicação, não porque essas práticas sejam falhas, mas porque elas foram desenhadas para outros objetivos. Tratar essa camada exige um trabalho diferente, que junta identidade e decisão de negócio na mesma sessão, ao vivo, no momento em que a decisão está sendo tomada.

O que, na prática, resolve essa camada específica

É exatamente aí que entra o trabalho que eu conduzo com o Método PPE. Não é uma alternativa à terapia, nem um curso de comunicação. É um trabalho de posicionamento que junta duas coisas que raramente são tratadas juntas: o bloqueio de merecimento que está por trás da forma como você se posiciona, e a decisão de negócio concreta que está na sua frente agora, seja uma precificação, uma negociação ou um reposicionamento de mercado.

Rafael Tavares (nome fictício), arquiteto e empresário, me disse algo que ilustra bem a intensidade desse trabalho quando ele acerta o alvo certo: “cada aula que você faz comigo, foram 17 no total agora, equivale a 17 meses de terapia”. Não fui eu quem sugeriu essa comparação, foi ele quem chegou a essa conclusão observando sua própria evolução. E o motivo é simples: quando o trabalho é feito exatamente na interseção entre identidade e decisão, sem rodeio, o resultado aparece mais rápido porque o alvo é mais estreito e mais preciso.

Onde essa camada é trabalhada na prática

Se você já passou por terapia, por PNL, por curso de oratória, e sente que fez esse trabalho todo com seriedade e ainda assim continua sendo lido abaixo do que vale, ou continua travando decisões de negócio que sabe que precisa tomar, é provável que o que falta não seja mais uma ferramenta genérica. É a camada específica de percepção e decisão que a maioria das abordagens simplesmente não foi construída para tocar.

É essa camada que eu trabalho, sessão a sessão, no Co-Mentoring, a mentoria individual de altíssimo ticket onde bloqueio de merecimento e decisão de negócio de alto risco são endereçados juntos, na mesma conversa, no momento em que a decisão está sendo tomada.

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